domingo, 27 de março de 2011

Bravo enfrenta Focus numa briga acirrada

Recém-lançado hatch da Fiat dá trabalho ao concorrente da Ford
Daniel Messeder // Fotos: Fabio Aro
Editora Globo
Foco do Bravo no Focus: preço de partida dos dois carros é praticamente o mesmo, em torno dos R$55 mil
O trocadilho é infame, mas a ocasião se impõe: a Fiat ajustou o foco do Bravo no Focus. Quer ver? Basta pegaro preço de partida do Bravo Essence 1.8, de R$ 55.200. É apenas R$ 85 mais barato que o Focus GLX 1.6, e não por acaso a marca mineira também deixou os freios ABS na lista de opcionais. As coincidências continuam entre os itens de série.

Os dois vêm com rodas de liga(não era melhor o ABS?), ar-condicionado, direção assistidae conjunto elétrico. Com o acréscimo do ABS –você não vai economizar em segurança, vai? –, temos R$ 55.986 para o Fiat e R$ 56.285 para o Ford. Pelo mesmo dinheiro, o Bravo chama atenção pelo motor. O E.torQ 1.8 16V de 132 cv e 18,9kgfm de torque oferece, em teoria,clara vantagem sobre os 1.6 da concorrência – não só o Focus, mas também Citroën C4, Peugeot 307 e VW Golf.
Editora Globo
A Ford não tinha um modelo disponivel para o teste na data combinada. Pegamos emprestado o carro de um designer da editora
Mesmo o moderno1.6 16V Sigma do Ford (com bloco de alumínio e duplo comando, contra bloco de ferro e comando simples no Fiat) gera 116 cv e 16,3 kgfm, uma diferença considerável em hatches pesados como esses. O Focus acusa 1.290 kg na balança, enquanto o Bravo chega a 1.340 kg. Ligamos para a Ford e, ops, nada de Focus 1.6 disponível na data necessária para nosso comparativo. Recorremos então a um carro emprestado pelo designer Marco Rossi, dono de um modelo GLX 2010, e aproveitamos para pedir uma opinião sobre o Bravo. Após uma noite com o Fiat, Rossi voltou com mais dúvidas que certezas. “Já tive um Stilo e gostava bastante. Algumas coisas me agradam mais nos Fiat,como a posição de dirigir esportiva e o acabamento interno, sem falar que esse carro anda mais que oo Focus. Não sei se trocaria.” Os comentários de Rossi reforçaram minhas impressões.

 Fabio Aro
Painel do Bravo tem acabamento imitando fibra de carbono
O Bravo tende a agradar um público mais jovem. O painel tem acabamento imitando fibra de carbono, macio ao toque, além de um quadro de instrumentos arrojado, com iluminação laranja. Os bancos apresentam densidade firme, enquanto o volante é o mesmo do Punto, com ótimo apoio para os polegares. Mas não deixe se levar pelo carro das fotos, pois ele é recheado de opcionais (bancos de couro, rodas aro 17, sensores de estacionamento, ar digital, som com Blue&Me) que elevam o preço para além dos R$ 60 mil – perigosamente na faixa de Focus 2.0 e Hyundai i30.
Entre no Ford e repare que o ambiente é mais sóbrio. As linhas são discretas e não há o mesmo esmero no acabamento. Apesar do uso de material emborrachado na parte superior do painel, as laterais de porta e o forro do teto destoam da categoria do carro. Basta ver (e sentir) o plástico texturizado que a Fiat usou no painel e nas portas do Bravo, além do tecido suave no teto. Os bancos do Focus são mais macios e, embora não conte com a posição esportiva do rival, o motorista fica muito bem acomodado. Ambos trazem ajuste de altura e profundidade da direção.
Editora Globo
Careta por dentro, o Focus ganha na praticidade. A visibilidade do carro é melhor devido às colunas estreitas
O Focus pode ser careta por dentro, mas ganha na praticidade. Com colunas mais estreitas, oferece melhor visibilidade tanto para frente quanto para trás – embora os retrovisores do Bravo sejam muito bons. Se você pensa em levar a família, o Ford é melhor escolha, graças à carroceria 5 cm mais larga e com entre-eixos 4 cm mais longo.

Mesmo quem não for muito alto terá problemas no banco de trás do Fiat, pois o joelho pega no encosto da frente e a cabeça bate no teto. No porta-malas, jogo empatado: o Bravo oferece capacidade um pouco maior (356 l contra 330 l, aferidos), mas tem a“boca” mais estreita e um desnível grande em relação ao para-choque, que dificulta a entrada e saída de carga. Como esperado, o Bravo é mais esperto. O ronco do 1.8 foi ajustado para atiçar o pé direito, e a boa oferta de torque em baixos giros contribui para a sensação agradável de força. De acordo com a Fiat, 93% dos 18,9 kgfm de torque estão a postos em 2.500 rpm. No Focus é preciso pisar mais fundo para o carro embalar, porque o torque é menor (16,3 kgfm com 80% disponível em 1.500 rpm), mas ainda assim ele não desaponta.

 Fabio Aro
Ford Focus: banco de trás confortável
Prova disso é que, na pista, o Bravo não abriu muita vantagem. A diferença na aceleração de 0 a 100 km/h FoCus 1.6 x Bravo 1.8 km/h não chegou a 1 segundo, com
11,9 s contra 12,8 s do Ford. Apenas na retomada de 60 a 100 km/h em quarta marcha houve vitória significativa do Fiat. Vale lembrar, porém, que o modelo testado veio com rodas aro 17 e pneus 215/45 opcionais (o original vem com 205/45 aro 16), que certamente “amarraram” um pouco o carro nas saídas.

Para deixar o Bravo com respostas mais rápidas, a Fiat encurtou o diferencial em relação ao Stilo. Você ganha energia no trânsito, mas paga a conta na estrada – literalmente. Com o conta-giros marcando 3.500 rpm a 120 km/h na quinta marcha (rotação elevada para um motor com esse torque), o Bravo consumiu um litro de etanol a cada 8,8 km no circuito rodoviário.

Com uma relação mais longa e um motor menos sedento, o Focus vai a 3.400 rpm e faz até 10,3 km/lna mesma condição. Na cidade a diferença foi menor, com 6,0 para o Fiat e 6,4 km/l para o Ford.

Lembra das rodas aro 17 do Bravo? Pois eu estava curioso para descobrir o talento do carro nas curvas. Fui para um trecho sinuoso dos meus favoritos e percebi que aderência é o que não falta aos pneus Goodyear 215. Mas ainda não foi dessa vez que o Focus perdeu o posto. A Fiat optou por elevar demais a altura da suspensão no modelo nacional (veja nas fotos a distância do pneu para a caixa de roda), o que deixa a carroceria jogar mais nas curvas e torna o balanço do carro ligeiramente incômodo mesmo nas retas. Fora isso, a direção elétrica não tem a mesma firmeza da hidráulica do Ford, ainda que tenha melhorado bastante em relação ao Stilo.

Editora Globo
Fiat Bravo: menos espaçoso que o rival
Mais assentado no chão, com bitolas mais largas e a tão afamada suspensão traseira multilink, o Focus continua o rei da dinâmica no segmento. Ainda que essa versão não tenha potência à altura do conjunto, o designer Marco Rossi tem razão ao apontar o Ford como mais gostoso de dirigir. E isso sem esquecer que o Focus apresenta elevado nível de conforto, absorvendo imperfeições do solo que o Bravo não consegue filtrar. Mesmo em pisos lisos, o Fiat apresenta um rodar mais áspero que o desejado.

Pelo conjunto, o Focus continua o carro a ser batido na categoria. Mas o Bravo chega perto, e surge como a melhor alternativa ao Ford – ele provavelmente manteria a segunda posição caso o comparativo incluísse os demais rivais.

De qualquer forma, o Bravo já fez a Ford se mexer: a linha 2011 do Focus GLX 1.6 recebeu de série faróis de neblina, porta-luvas refrigerado e regulagem da iluminação do painel. O consumidor agradece.


Se você prioriza o desempenho, o Bravo 1.8 é uma boa alternativa ao Focus 1.6. No restante, porém, a Ford se destaca
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